Géraud

Géraud de Ville

The Open University, Department of Engineering and Innovation
Brussels, Belgium

A diversidade indígena no Brasil

Comemorando o Dia do Índio

April 20, 2012

On 19 April, Brazil celebrates the Indigenous Day. Various commemorations with indigenous leaders are organised throughout the country.

Geraud de Ville – Creative Commons

No Brasil, o dia 19 de abril é a data em que se comemora o Dia do Índio, criada pelo presidente Getúlio Vargas por meio do decreto-lei 5.540 de 1943. A data relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do 1º Congresso Indigenista Interamericano no México. Durante o evento foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, sediado no mesmo país, que na época tinha como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao Instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon, o País apresentou sua adesão e oficializou a data.

Falar de índios no Brasil significa falar também de diversidade de povos. São um exemplo concreto e significativo da grande diversidade cultural existente no País. Segundo dados do Censo 2010, atualmente são 817 mil índios, que representam 220 diferentes povos, cerca de 0,4% da população brasileira, e estão distribuídos entre 688 terras indígenas e algumas áreas urbanas. Um número pequeno se compararmos com os 5 milhões de indígenas que habitavam terras brasileiras quando da chegada dos portugueses.

De acordo com a Fundação Nacional do Índio – FUNAI estudos recentes comprovam que a população indígena vem aumentando rapidamente nas últimas décadas. Outro dado interessante é que mais da metade da população indígena está localizada nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, principalmente na área da Amazônia Legal. Mas há índios vivendo em todas as regiões brasileiras, em maior ou menor número.

São eles os grandes protetores das florestas, dos rios e da biodiversidade como um todo. Desde pequenos aprenderam a viver em harmonia com o meio ambiente e a proteger sua cultura e seu território. Lições de anos atrás que deveriam fundamentar discussões e resoluções atuais de organizações, sociedades e governos. A falta de políticas mais eficientes que fortaleçam e apóiem às comunidades indígenas é um dos grandes problemas no Brasil. Junto a isso pode-se falar também as constantes ameaças sofridas pelos indígenas por madeireiros e fazendeiros que querem a todo custo se apropriar dos recursos naturais de suas terras.

Como forma de amenizar e colaborar com alguns dos problemas enfrentados pelos indígenas brasileiros atualmente, o Projeto Cobra, a partir da sua metodologia participativa com comunidades do Tumucumaque, no norte do Brasil, vem tentando encontrar formas de integrar soluções indígenas dentro de políticas que enfrentam crescentes crises sociais, econômicas e ambientais. “Procuramos formas que possam ajudar as comunidades a enfrentar os desafios futuros, tanto ecológicos quanto sociais”, explica a coordenadora do Projeto e pesquisadora da Royal Holloway da Universidade de Londres, Jay Mistry.

Além disso, o Projeto, que no Brasil é liderado pela Equipe de Conservação da Amazônia – Ecam, pretende ajudar as comunidades indígenas a usar o vídeo e fotografia participativa para lhes ajudar a se expressarem ou contarem suas histórias por meio de fotos e palavras. A ideia é que os indígenas façam seus próprios filmes sobre questões que são importantes para eles e que mostrem desafios emergentes em suas terras com o objetivo de compartilhá-los com outros comunidades e com a sociedade como um todo.

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The COBRA Project is supported by a three year grant from the European Commission Seventh Framework Programme

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